Decorativa Painéis de Azulejo
 
A história da influência do Oriente na génese da faiança do séc.XVII, está intimamente ligada ao descobrimento do caminho marítimo para a India, donde logo Vasco da Gama, na primeira viagem de descoberta, 1498, trouxe para o rei D.Manuel porcelanas chinesas. Na segunda viagem, Pedro Àlvares Cabral trouxe novas porcelanas para o Rei. Era já o início da formação de um gosto. Mais tarde, foi um governador português de Malaca, Pedro de Faria, que encomendou na China uma escudela com o seu nome e a data 1541 inscritos em português. A escudela de Pedro de Faria, o oleiro chinês marcou-a com o nien-Ho do séc. xv, certamente para fugir ao decreto imperial que proíbia a exportação. Houve, no entanto um apreciável contrabando, até que Macau se tornou um centro de grande exportação, cerca do final da dinastia Ming ( Sir Harry Farner, Oriental Blue and White ).

Fomos nós que ampliámos pela nova via marítima o comércio das porcelanas da China para a Europa, nessa época em que o monopólio do trânsito pelo mar das Índias estava essencialmente nas nossas mãos. Só com a fundação das Companhias das Índias holandesa, inglesa, e por fim francesa, do séc.XVII, esse nosso exclusivo se perdeu. Mas era natural que fôssemos os primeiros a tentar na nossa faiança do séc.XVI a imitação da porcelana chinesa, que tanto nos seduzia e tão caro nos custava...

Mais tarde, em 1619, na visita a Portugal de Filipe III de Espanha, recebido com arcos festivos, o dos oleiros portugueses, ornamentado com os emblemas da respectiva arte, é-nos descrito pelo cronista Lavanha como tendo, entre outros símbolos do ofício, uma roda de oleiro e um vaso de porcelana da que se faz em Lisboa contrafeita da China, e ao pé os seguintes versos:

Aqui monarcha excelso soberano
Vos oferece a arte peregrina
Fabricado no reino lusitano
O que antes nos vendeu tão caro a China